Chainsmoker Cat Episódio 2 — a liberdade de Yani esbarra na conta do cigarro

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Sem cigarro, sem água em casa e afundada em dívida de aluguel, Yani passa o episódio 2 de Chainsmoker Cat tentando não ceder à única coisa que jurou evitar: um emprego. Entre uma leitura de mão brutalmente precisa e uma vizinha que se recusa a facilitar as coisas, ela acaba batendo na porta certa de madrugada implorando por um bico que pague no mesmo dia — enquanto, em paralelo, a amiga Hame vira notícia duas vezes: numa live que sai do controle e, depois, ao registrar um novo sobrenome na prefeitura.

O que aconteceu no episódio 2 de Chainsmoker Cat?

O episódio abre longe da realidade: ainda em surto por falta de nicotina, Yani tem uma alucinação psicodélica em que uma Fada do Cigarro — literalmente um cigarro gigante com rosto — tenta convencê-la de que fumar “com moderação” é possível. A cena usa um estilo de animação deliberadamente diferente do resto do episódio pra deixar claro que aquilo é só o cérebro de Yani implorando por uma tragada.

De volta à realidade, o problema segue o mesmo. Yani cruza a varanda até o apartamento vizinho e confronta Yaku Neko, que jura estar sem cigarro sobrando — mentira desmontada na hora, já que Yaku está fumando um bem na frente dela. Depois de reclamar da “ingratidão” de Yani, Yaku cede uma tragada errada: Yani não sabe segurar a fumaça e passa mal antes de aprender a fazer “do jeito certo”.

Pouco depois, com a água do próprio apartamento cortada, Yani volta à porta de Yaku atrás de um copo d’água pra tomar a vacina anual contra “doença da fera raivosa” (sátira de vacinação obrigatória pra Beastfolk). A cena vira comédia física quando Yaku, ao ver a seringa, entra em pânico e cobra satisfações sobre “drogas estranhas” — o que Yani nega, alegando que “já foi pro caminho reto”.

À noite, as duas cruzam com uma anciã leitora de mãos num mercado de rua, que promete cobrar só se o palpite for certeiro. O humor está em como ela acerta cada detalhe da vida de Yani sem mistério algum — cheiro de cigarro, apartamento decadente, ausência de emprego — e fecha com a previsão de morte por câncer de pulmão “ou num incêndio” em cinco anos. Yani, sem argumento, aceita um cigarro pra “se acalmar”, provando o próprio diagnóstico.

É na volta pra casa que o episódio revela sua espinha dorsal: Yani, olhando pra uma nuvem, discursa sobre querer viver “livre, sem nada me prendendo” — ideal que Yaku recebe com admiração. Mas a própria Yani fura a poesia com uma ressalva prática: mesmo sendo uma nuvem, ela “arranjaria emprego” se ficasse sem cigarro. É a confissão que planta a virada do episódio.

A confissão vira profecia horas depois: de madrugada, sem cigarro nenhum sobrando, Yani soca a porta de Yaku exigindo “qualquer emprego que pague no mesmo dia” — o mesmo bico que a própria Yaku tinha oferecido horas antes, à luz do dia, sem pressa. A piada é cruel com a protagonista: ela não cede por reflexão, cede por abstinência.

O segundo bloco muda o foco pra Hame, cujo próprio canal de live, o “Hame Channel”, vira vergonha alheia quando ela tenta pausar a transmissão no meio de um surto com um inseto — só que a transmissão nunca pausa de verdade, e o chat assiste ao vivo sem corte nenhum.

O episódio fecha na prefeitura, onde Hame — sem sobrenome por ter pais Beastfolk — enfim registra um nome oficial, revelado em tela como um trocadilho tão estranho que nem ela consegue defendê-lo diante da cara de dúvida de Yani.

Por que Yani demora tanto pra aceitar um emprego, mesmo faminta por cigarro?

A resposta que o episódio constrói, cena a cena, não é preguiça — é medo disfarçado de princípio. O discurso da nuvem (clipe 5) é a chave: Yani não recusa trabalhar por odiar trabalho, recusa porque aceitar um emprego significa admitir que a vida “livre e sem amarras” que ela vende pra si mesma (e pra Yaku, que a admira por isso) é insustentável. A cada cena em que alguém aponta essa contradição — a Fada do Cigarro, a anciã, a própria Yaku bancando o cigarro emprestado — Yani reage com irritação em vez de reflexão.

É por isso que a cena da madrugada (clipe 6) funciona como piada e caracterização ao mesmo tempo: o gatilho pra Yani ceder não é reflexão, é abstinência pura. Ela aceita o emprego não porque entendeu que precisa se virar, mas porque está sem cigarro às três da manhã. Em Chainsmoker Cat, o vício é sempre mais forte que qualquer epifania, e é esse ciclo — crise, recusa, vício vencendo, rendição — que estrutura este episódio.

Vale notar como a leitura de mão da anciã (clipe 4) já tinha entregue esse destino de bandeja antes mesmo da cena da nuvem. Yani ouve a própria sentença e ainda assim gasta a cena seguinte defendendo uma vida livre “sem nada me prendendo” — a montagem deixa claro que ela ignora a profecia por opção, não por ingenuidade. Esse contraste entre autoconsciência e autossabotagem dá mais fio à comédia do episódio 2 do que a simples repetição de gags sobre vício do episódio 1.

O que esperar dos próximos episódios de Chainsmoker Cat?

Pela sinopse oficial do episódio 3, “Sou mais direto do que engraçado, Nya”, Yani troca o bico noturno por outro acordo com o senhorio — cuidar do jardim dele pra pagar o aluguel —, sugerindo que o “emprego” arranjado com Yaku neste episódio 2 não deve durar. É uma estrutura consistente com o que os dois primeiros episódios já mostraram: cada capítulo resolve (ou adia) a crise financeira de Yani com uma solução improvisada diferente.

Do lado dos coadjuvantes, o episódio 4 já confirmado na agenda (“Malucos ao meu redor, Nya”) coloca Yani como assistente da mangaká Saori Tatsuno — sinal de que o anime pretende alternar o círculo de personagens que dá emprego (ou dor de cabeça) pra protagonista, mantendo Yaku e Hame como apoio fixo. Com 6 dos 12 episódios no ar, o padrão deve seguir puxando humor do contraste entre o discurso de liberdade de Yani e sua dependência de quem está ao redor.

Ficha rápida

Os dados abaixo vêm direto da ficha oficial do anime no acervo do Super Animes, sempre atualizada conforme novos episódios entram no ar.

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